A Boneca do grande poeta "Olavo Bilac"

A Boneca



Deixando a bola e a peteca, com que inda há pouco brincavam, por causa de uma boneca, duas meninas brigavam. Dizia a primeira: "É minha!" — "É minha!" a outra gritava; E nenhuma se continha, nem a boneca largava. Quem mais sofria (coitada!) Era a boneca. Já tinha toda a roupa estraçalhada, e amarrotada a carinha. Tanto puxaram por ela, que a pobre rasgou-se ao meio, perdendo a estopa amarela que lhe formava o recheio. E, ao fim de tanta fadiga, voltando à bola e à peteca, ambas, por causa da briga, ficaram sem a boneca . . .

Poeta "Olavo Bilac"







sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Saiba mais sobre o Autismo


Síndrome de Asperger - Autismo infantil

A lista serve como orientação para o diagnóstico. Como regra os indivíduos com autismo apresentam pelo menos 50% das características relacionadas. Os sintomas podem variar de intensidade ou com a idade. 

Dificuldade em juntar-se com outras pessoas,
Insistência com gestos idênticos, resistência a mudar de rotina,
Risos e sorrisos inapropriados,...Ver mais
 — com Eloisa Giacomozzi e Angelica Alves.

Disciplina, respeito e hierarquia familiar...sera então o segredo?

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

Marilyn Wedge, Ph.D
EQ 2-ilu

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam oDiagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre- que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.

Texto original em Psychology Today

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cuidado com o sono de seu filho.


O sono é importantíssimo para o cérebro


   Os meses finais do ano trazem uma agitação coletiva. São inúmeras atividades que nos condicionamos a realizar...mas o que não pode ser deixado de lado é justamente um bom período de sono... 


   O sono muda a estrutura celular do cérebro e pode ser também ser o período de se livrar de moléculas tóxicas, portanto cuide de si, cuidando de sua saúde... 


  Conforme Suzana Herculano-Houzel "Ao dormir, você ganha plasticidade [flexibilidade para criar sinapses], consolida o aprendizado e lida melhor com estresse ", a descoberta de que o sono é essencial para limpar toxinas acumuladas no cérebro durante o dia, complementa o que já se conhece sobre o papel do sono, como a consolidação das sinapses (conexões entre diferentes neurônios).

História do Caleidoscópio e como fazer um

Caleidoscópio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Vista de um caleidoscópio multicolorido


















Um caleidoscópio ou calidoscópio é um aparelho óptico formado por um pequeno tubo
 de cartão ou de metal,com pequenos fragmentos de vidro colorido, que, através do reflexo da luz exterior em
 pequenos espelhos inclinados,
 apresentam, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual.
O nome "caleidoscópio" deriva das palavras gregas καλός (kalos), "belo, bonito", είδος (eidos), "imagem, figura",
 e σκοπέω(scopeο), "olhar (para), observar".

História

O caleidoscópio foi inventado na Inglaterra, em 1817 pelo físico escocês Dawid Brewster (1781-1868). Cerca de doze
ou dezesseis meses mais tarde ele despertava a admiração universal. Afirma-se que o caleidoscópio já era conhecido
no século XVII. Conta-se que, na época, um rico francês adquiriu um caleidoscópio por 20.000 francos. Era feito com
 pérolas e gemas preciosas ao invés de pedaços de vidro colorido. Durante muito tempo o caleidoscópio foi um divertido
 brinquedo. Hoje é usado para fornecer padrões de desenho. Inventou-se um dispositivo para fotografar as formas do
caleidoscópio, registrando assim, mecanicamente, os mais diversos padrões ornamentais.
O caleidoscópio de Brewster consistia em um tubo com pequenos fragmentos de vidro colorido e três espelhos que formavam
um ângulo de 45 a 60 graus entre si. Os pedaços de vidro refletiam-se nos espelhos, cujos reflexos simétricos, provocados
pela passagem da luz, criavam a imagem em cores.
Atualmente o caleidoscópio é formado por um pequeno tubo, no fundo do qual há pedaços coloridos de vidro ou de outro material
e três espelhos dispostos de tal forma que, ao se movimentar o tubo, visualizam-se diferentes figuras coloridas em imagens
 multiplicadas que se formam em arranjos simétricos. Estes espelhos podem ser dispostos em ângulos diferentes: a 45°, cada
 um dos três espelhos formava oito imagens duplicadas. A 60°, formava seis imagens e a 90°, formava quatro imagens.
Embora tenha sido inventado para fins de estudo científico, durante muito tempo o caleidoscópio foi considerado apenas como
 um divertido brinquedo. Hoje é usado para fornecer padrões de desenho geométrico. Inventou-se um dispositivo para fotografar
as formas do caleidoscópio, registrando-se assim, mecanicamente, os mais diversos padrões ornamentais.
veja o link e faça o seu:


Você sabe o que é TAXONOMIA DE BLOOM ?

A taxonomia de Bloom para o aprendizado







Taxonomia de Objetivos Educacionais de Bloom



Benjamin Bloom e seus colegas criaram uma divisão de objetivos educacionais em 3 partes:
  • cognitiva: objetivos que enfatizam relembrar ou reporduzir algo que foi aprendido, ou que envolvem a resolução de alguma atividade intelectual para a qual o indivíduo tem que determinar o problema essecial, então reorganizar o material ou combinar ideiais, métodos ou procedimentos previamente aprendidos
  • afetiva: objetivos que enfatizam o sentimento, emoção ou grau de aceitação ou rejeição. Tais objetivos são expressos como interesses, atitudes ou valores
  • psicomotora: objetivos que enfatizam alguma habilidade muscular ou motora
O domínio cognitivo é dentre estes três, o mais frequentemente usado e, de acordo com a taxonomia dos objetivos educacionais de Bloom, os seis níveis do domínio cognitivo são:

Os processos caracterizados pela taxonomia devem representar resultados de aprendizagem, ou seja, cada categoria taxonômica representa o que o indivíduo aprende, não aquilo que ele já sabe, assimilado do seu contexto familiar ou cultural.
 Os processos são cumulativos, uma categoria cognitiva depende da anterior e, por sua vez, dá suporte à seguinte.
As referidas categorias são organizadas num gradiente em termos de complexidade dos processos mentais.

A tabela seguinte ilustra a taxonomia de Bloom. A primeira coluna mostra os objetivos de aprendizagem relacionados por Bloom. A segunda coluna indica os processos para atingí-los e a terceira os resultantes da aprendizagem.

objetivos

processos

resultantes
conhecimento
  • especificar 
  • modos e meios para lidar com itens específicos 
  • fatos universais e abstraçoes num dado campo 
definir
reconhecer
recitar
identificar
rotular
compreender
examinar
mostrar
coletar
listar 
rótulos
nomes
fatos
definições
conceitos 
compreensão
  • tradução 
  • interpretação 
  • extrapolação 
traduzir
interpretar
explicar
descrever
Resumir
demonstrar 
argumento
explicação
descrição
resumo 
aplicação
  • uso de abstrações em situações específicas e concretas 
aplicar
solucionar
experimentar
demonstrar
construir
mostrar
fazer
ilustrar
registrar 
diagrama
ilustração
coleção
mapa
jogo ou quebra-cabeças
modelo
relato
fotografia
lição 
análise
  • elementos 
  • relacionamentos 
  • princípios organizacionais 
conectar
relacionar
diferenciar
classificar
arranjar, estruturar
agrupar
interpretar
organizar
categorizar
retirar
comparar
dissecar
investigar
gráfico
questionário
categoria
levantamento
tabela
delineamento
diagrama
conclusão
lista
plano
resumo 
síntese
  • comunicação inédita 
  • plano de operação 
  • conjunto de relacionamento abstratos 
projetar
reprojetar
combinar
consolidar
agregaro
compor
formular hipótese
construir
traduzir
imaginar
inventar
criar
inferir
produzir
predizer 
poema
projeto
resumo de projeto
fórmula
invenção
história
solução
máquina
filme
programa
produto
avaliação
  • julgamento em termos de evidência interna 
  • julgamento em termos de evidência externa 
interpretar
verificar
julgar
criticar
decidir
discutir
verificar
disputar
escolher 
opinião
julgamento
recomendação
veredito
conclusão
avaliação
investigação
editorial 


Referência: Rodrigues, José . - A taxonomia de objetivos educacionais - um manual para o usuário. Editora UNB, 2 edição 1994. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Letra cursiva: certo ou errado?

Alfabetização: letra bastão
tende a substituir letra de mão

Francisca Paula Toledo Monteiro

A educadora Francisca Paula Toledo Monteiro trabalha com alfabetização e letramento na Divisão de Educação Infantil e Complementar da Unicamp. É professora de crianças na educação complementar que estão em processo de alfabetização de seis as sete anos, num trabalho de educação não formal, mas voltado ao letramento e à alfabetização. Em seu mestrado, apresentado à Faculdade de Educação (FE), há alguns anos, ela abordou as diferenças e subjetividades na educação, tendo como foco o fracasso escolar. À época, ela questionou: de quem afinal é o fracasso? Francisca atua com alfabetização desde os 17 anos e se confessa uma apaixonada pelo assunto. Ela foi partícipe e se lembra muito de quando foi alfabetizada e garante que a alfabetização avançou muito. Hoje não encerra mais a concepção de que quem ensina é o professor e de quem aprende é o aluno. É preciso antes, salienta a professora, conhecer o mundo. A educadora discutiu longamente a sua experiência e relatou que a tendência atual é o desuso da letra cursiva, ou de mão, em favor da letra bastão, que está largamente distribuída no mundo: nos computadores, nosoutdoors, nas faixas, nos painéis, nos comunicados e na correspondência comercial. Em entrevista ao Portal Unicamp, Francisca comenta os desafios do professor e o importante papel da criança como protagonista no processo, como leitora e como coautora de sua própria história.
Portal Unicamp – Há responsáveis pelo fracasso escolar?
Francisca Paula Toledo Monteiro – A resposta é que existem demandas que as crianças nos trazem e às quais a escola não tem sido capaz de responder. Não quero, com isso, dizer que a responsabilidade seja exclusivamente dos professores, mas de todo um sistema, onde a sociedade evolui com as tecnologias e evolui nas formas de relações humanas. O que se verifica é que a escola se fecha nos muros da artificialidade. Assim, as demandas que as crianças trazem não são ouvidas e, se são ouvidas, são interpretadas pelo olhar do adulto e novamente reenquadradas dentro dos muros da escola, onde não há sentido, muitas vezes, e nem tem significado para as crianças. Daí o altíssimo nível de dificuldades na leitura e na escrita que encontramos no quinto e no sexto ano do ensino fundamental.
Portal – Talvez isso já tenha a ver com a alfabetização...
Francisca – Sim. A alfabetização no Brasil é muito deficitária, tanto que hoje nota-se um imenso número de crianças que são encaminhadas para as clínicas de fonoaudiologia e um imenso número de cursos de especialização em psicopedagogia e na própria alfabetização e letramento. Então, penso que a nossa formação pedagógica não dá a ênfase necessária às questões da alfabetização, isso não só técnica e linguística, mas também envolvendo o contexto da alfabetização.
Portal – Como você define alfabetização?
Francisca – Trata-se de um processo que se inicia com a leitura da palavra 'mundo', defendida por Paulo Freire, e com a compreensão, pelas crianças e pelas pessoas, da função social da leitura e da escrita. E isso está muito descontextualizado na escola. Toda a sinalização da instituição e todas as relações organizadas dentro dela deveriam ser feitas junto com as crianças: os bilhetes, os murais, os diários, as rotinas, os roteiros. Isso porque elas têm, aí, indícios da função social da leitura e da escrita, porque organizam o mundo dentro da escola, antes mesmo de desenharem as letras. Na verdade, no sistema linguístico, o alfabeto é o último reconhecimento que a criança faz na estrutura da palavra.
Portal – Qual seria o primeiro reconhecimento?
Francisca – Seria a palavra: o texto e o contexto. São as aquisições nas quais as crianças estão imersas culturalmente. Elas são constituídas pela linguagem desde que nascem. Então compreendem o sentido social da leitura e da escrita, porque são capazes, potentes e competentes, mesmo aquelas que têm dificuldades motoras ou de linguagem. Todas podem estar inseridas e cônscias de um contexto quando ele está devidamente desenhado. Por outro lado, se eu artificializo, há uma descontextualização. Quanto mais artificial, mais dificuldades o sujeito enfrentará para compreender as relações da escrita.
Portal – O que você chama 'artificializar'?
Francisca – Usar apostilas, trabalhos mimeografados, xerocopiados ou impressos, e bilhetes prontos que nem sempre são lidos, nem pelos professores. Não estou criticando o professor, e me incluo nisso, mas estou vendo que isso é resultado da pressa e do cumprimento de um currículo que não está voltado à criança. A organização dos espaços e dos tempos é dirigida ao próprio currículo ou à rotina do adulto, e não às crianças. Gastamos muito tempo organizando e pouquíssimo tempo com o repertório trazido pelas crianças.
Portal – O que seria ideal na alfabetização?
Francisca – Não creio no ideal e sim em ideais. Acredito que precisamos escutar as crianças, pois todo ano temos uma clientela diferente que chega, vinda de culturas diferenciadas, mesmo numa mesma cidade. Aposto numa construção em que se ouve muito o que as crianças têm a dizer e que enfatiza o estudo, porque precisamos conhecer os processos de aquisição da leitura e da escrita. Também não acho que a criança deva escrever do jeito que quer. Ela adquire, constrói o conhecimento, e o professor vai mediando e alargando o contexto cultural das crianças. Esta é a função da escola. Não é doutrinar e domesticar o aluno, mas auxiliá-lo a ampliar a sua visão de mundo e sua capacidade de sentir, pensar e agir sobre ele.
Portal – O que o professor ensina nos primeiros contatos com os alunos?
Francisca – Partimos da premissa de que a criança já teve contato com as letras e que já traz um conhecimento em sua bagagem. Mas quando estamos com ela, infelizmente esquecemos dessas suas experiências. Daí pensamos que o primeiro contato com as letras é na escola. Isso não é verdade. Mesmo tendo pais analfabetos, a criança tem conhecimento, uma vez que sai na rua, convive com pessoas e sempre tem alguém que é leitor na sua casa ou próximo dela. Então ela já chega tangendo alguns domínios. A alfabetização passa por vários processos. que seriam, entre outros,  reconhecer que a criança é capaz e de que ela traz conhecimentos, além de trazer para dentro da sala de aula os textos, e não as palavras ou as sílabas e letras isoladas. O ambiente alfabetizador é aquele em que a criança participa de uma construção coletiva com seus colegas, com a professora, de textos que fazem sentido para ela: o bilhete que vai para a casa dele, o cardápio da escola, a rotina do dia na lousa. Daí ela começa a escrever, pois faz tentativas através do próprio jogo simbólico. Ela vai ensaiando a escrita e a leitura, já a partir de dois a três anos. Dentro da sala de aula, também é incentivada com a leitura feita pelo professor. Em alguns momentos, o educador funciona semelhantemente a um escriba. Enquanto as crianças vão produzindo os textos, o professor vai escrevendo por elas. A criança precisa, para escrever, saber que se escreve com letras, não com desenhos. Isso é feito pelo professor mediante comparações com livros, leituras, textos produzidos em conjunto. O professor mostra que há uma escrita em comparação a um desenho, a uma escultura. Logo, a própria criança vai reconhecendo e diferenciando.
Portal – Como é o reconhecimento inicial na alfabetização?
Francisca – A criança vai ao supermercado e lá observa, em grande medida, as letras. Ela grava isso, assim como as propagandas. Deste modo, para alfabetizar, podemos começar com os nomes que elas já conhecem. Criamos listas nas paredes ou fazemos para elas crachás. Assim vão reconhecendo os nomes ou textos mais próximos do seu cotidiano. Depois fazem tentativas de escrita. Também, a partir do estímulo do professor, a criança desenha e produz uma história. A seguir, vai passear e relatar seu passeio. Traz uma receita de casa e a professora a executa com as crianças. Escreve-a na lousa. Lê junto com os alunos. Pede à família que faça o mesmo. A criança vai então transcrever. Esse é parte do processo.
Portal – Quando se pode dizer que a alfabetização foi feita?
Francisca – A alfabetização não tem um início, meio ou fim. Ela não termina nunca. Tecnicamente alfabetizada está uma criança que já lê, compreende o que foi lido e pode se comunicar a partir de um bilhete. Ela não precisa conhecer as sílabas separadas, como reza a cartilha, que envolve um processo fragmentado. O nosso histórico, no passado, foi de fragmentação das disciplinas. É o que chamamos de um cartesianismo – ter uma linha contínua: começo, meio e fim, como se isso fosse possível. De outra via, reconheço que foi uma maneira de avançar nas ciências. Recortou-se o conhecimento a partir da Filosofia. Então Psicologia e Sociologia se originaram da Filosofia. Fragmentava-se, transformava-se o conhecimento em departamentos e em disciplinas para que isso fosse oferecido com a visão de um professor que sabe tudo e de um estudante que não sabe nada. Esta concepção permeava a alfabetização a partir da cartilha.
Portal – Você é contra a cartilha?
Francisca – Não uso a cartilha, o que não significa que tenho algo contra quem a adota. Penso apenas que fragmentar o conhecimento não ajuda porque a criança não conhece a parte para depois o todo, nem o ser humano. Conhecemos o todo e depois fragmentamos em partes aquilo que nos interessa, para reconstruir no novo todo. Cada professor parte de um princípio. Parto de ouvir a criança, trazer o letramento para a sala de aula, formar um ambiente letrado em que as escritas, as leituras e as oralidades são valorizadas.
Portal – Como a criança começa a desenhar as letras?
Francisca – Com dois a três anos, e em qualquer lugar. Na escola, ela começa a desenhar e, a partir desse desenho, o professor pode pedir-lhe para representar o que desenhou. Ela ensaia colocando letras. A professora pode deixar à mostra um alfabeto. Não há problema. Mas as minhas crianças nunca alfabetizaram porque conheciam o alfabeto. Eu acreditava piamente que as crianças tinham que reconhecer as letras para serem alfabetizadas, mas alfabetizei um menino sem que ele nomeasse sequer uma letra do alfabeto, nem as do nome dele. E ele se alfabetizou em apenas três meses.
Portal – Como isso acontece?
Francisca – A alfabetização se dá na interação do mundo letrado com a mediação de um professor, cuja concepção hoje é de que a compreensão e o contexto estão num texto. Não estão na fragmentação das palavras que, soltas de um contexto, como “o bebê babou”, não fazem sentido. “O vovô viu a uva” também não. Conosco foi assim, em outra época. Mas o mundo foi se transformando, se aprimorando. As dificuldades de aprendizagem aumentaram a tal ponto de as pesquisas se iniciarem com Paulo Freire, em 1960, já preocupado com o nível de analfabetismo porque a concepção que tínhamos – de sujeito que aprende e que ensina – não é o que acreditamos hoje.
Portal – Qual é a tendência na alfabetização?
Francisca – As pesquisas e o próprio trabalho que procuramos desenvolver nas creches é de que essa alfabetização é um processo que não se dá no primeiro ano só. É um trabalho contínuo. Cabe ao professor dominar alguns conhecimentos linguísticos, gramaticais e sociais para que ele não exclua nenhuma criança desse aprendizado e para que organize o seu fazer pedagógico. Agora o principal: é preciso mudar a concepção de ensino e de aprendizagem. As crianças são potentes, ativas e participativas. A alfabetização se dá num contexto cujo eixo é o texto, e não a letra e não a sílaba. Essa é uma convicção que trazemos da teorização de Paulo Freire, da leitura da palavra mundo, e das questões trazidas pela valorosa Emília Ferreiro, a partir da psicogênese da leitura e escrita. Não vejo como uma tendência. É uma mudança de paradigma: de criança como tábula rasa para um sujeito aprendiz com potencial e com conhecimento; e de uma concepção de que o professor é o detentor de todo saber, porque ele aprende muito enquanto ensina.
Portal – Como deve ser a postura do professor nesse modelo?
Francisca – Ele precisa ser observador, presente, e qualificar a criança potente. Deve instigá-la para saber mais. Um professor leitor, que lê muito para seus alunos e que tem uma boa entonação de voz, ele já está ensinando a criança o texto e a pontuação. Depois é só ele oferecer a técnica. A própria regra é construída com a criança, a partir de comparações: por que essa palavra eu leio assim e a outra de outro modo? Como numa poesia, por exemplo, a criança identifica as rimas? Todas essas são capacidades que o aluno vai adquirindo no contato com o professor e igualmente com a família.
Portal – Nesse processo, o que vem antes: a leitura ou a escrita?
Francisca – Em geral, a leitura precede a escrita. Mas uma coisa não exclui a outra, porém uma alfabetização meramente memorizada e copista vai gerar muitas vezes crianças copistas e que não boas produtoras de texto, que não têm a perspectiva da coautoria. Já tive alunos que precisei atender em aulas particulares que tinham cadernos perfeitos, mas que não liam uma palavra. Temos que desmistificar também que a criança só vai escrever bem quando ler. Não. Ela pode escrever sem ler.
Portal – O que pensa da ideia que permeia hoje de que a letra cursiva não vai existir mais, porque hoje o mundo é da letra bastão?
Francisca – Todas as letras são válidas, desde que a criança tenha a chance de se expressar. Se ela tem uma leitura proficiente, lerá em qualquer tipo de letra. O que é impensável é o professor ainda imaginar que uma criança está alfabetizada quando ela domina a letra cursiva. Isso é um mito e é algo que parte do senso comum. Isso já caiu por terra há muito tempo. Agora, a letra cursiva dificilmente é empregada no mundo e na escola. Qual é o problema da criança responder em letra de forma? Todas as informações são praticamente em letra bastão. Isso está no computador, nos outdoors, nos painéis, nos bilhetes que vão para a casa. O que ocorre é que não há uma grande utilidade mais. E se o computador estragar? É bom que se grafe com a própria letra. É um princípio da autonomia. Não preciso depender da máquina. Qual é o problema se a função da escrita e da leitura é a comunicação e a inserção social do sujeito? O importante é que a criança leia, interprete e consiga fazer o seu uso social. A letra no máximo precisa estar legível para que exerça a função da escrita e da leitura, que são a comunicação e a inserção social – representação subjetiva na minha ausência. Nem precisa estar bonita.
Portal - Os Estados Unidos anunciaram o fim do ensino da letra cursiva. E aqui?
Francisca – Creio que muitas coisas são decretadas porque demoramos muito para mudar. Às vezes isso causa um sofrimento desnecessário às crianças. Não há utilidade na letra cursiva nem em termos de coordenação motora, porque essa coordenação não é testada pela letra. Ela se dá na interação da criança com o mundo e com os outros. A criança que não tem autonomia, que a mãe, a berçarista ou a professora da creche dão tudo na boca e na mão, pode até fazer caligrafia, contudo, não vai desenvolver coordenação. A criança ganha autonomia no fazer, na construção do mundo.
Portal – Até quantos anos ela tem uma coordenação satisfatória?
Francisca – Isso varia. Agora se ela vive um ambiente que pode, com autonomia e segurança, se alimentar, se vestir, amarrar o tênis, recortar seu bilhete sozinha, ao invés de rasgar papelzinho e ficar treinando no papel, ela vai se desenvolver sem nenhum problema e vai chegar ao período de alfabetização, ou em qualquer período da vida dela, sem nenhuma dificuldade e sem nenhum comprometimento motor.
Portal – Essa coordenação poderá ajudar no quê?
Francisca – É um reflexo de toda a vivência corporal da criança, mas nos auxilia para tudo. Até para mudança de ponto de vista. A coordenação inclui tudo, até a capacidade óculo-visual, auditiva e cinestésica. A coordenação não é só para ler, para escrever e para digitar no computador. Envolve a confecção de trabalhos manuais e sobretudo a organização da própria rotina. A criança descoordenada normalmente também está descoordenada no seu tempo e no espaço. A coordenação não é pela mão. Ela vem de dentro para fora e de fora para dentro. É o social junto com o pessoal.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Presente para o dia das mães!

Pulseiras por reutilização de palitos de picolé...-recycling

http://www.craftaffection.com

Pulseiras por reutilização de palitos de picolé...


- Ferver os palitos e deixá-los um pouco na água...
- Ainda mornos, entortá-los e colocá-los em um copo para que sequem no formato desejado....
- Quando secos, passar lixa fina para acabamento...
- Em seguida é só decorar como preferir... tinta acrílica, tecido...
Deixe os palitos de molho.
Use o copo como na foto

Pinte ou cole adesivos...fique a vontade!

Todos vão se surpreender com as criações, vale usar miçangas, pedras, correntes.......
use e abuse da criatividade de seus alunos!

Acorda BRASIL!!!!!!!

Discalculia, você sabe o que é?


Discalculia: o que você precisa saber para ajudar seu filho

Dificuldade com números? Entenda o que é esse problema e aprenda a lidar com ele


Educar
Foto: Maurício Melo
A discalculia pode gerar lacunas graves no aprendizado da criança



O problema se mostra cedo na escola, a criança não consegue fazer a relação entre a quantidade e o número, mas a família deixa prá lá, ora, Matemática é um bicho-papão, fazer o quê. "Culturalmente somos compreensivos com quem tem dificuldade em entender os princípios matemáticos", confirma Birgit Möbus, psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira de São Paulo. "Mas os pais precisam acompanhar atentamente o desempenho escolar dos filhos sob o risco de acumular lacunas graves na aprendizagem da disciplina."

A discalculia é um problema causado pela má formação neurológica e se manifesta com a dificuldade no aprendizado de números. Segundo pesquisas recentes, 6% da população mundial em idade escolar sofrem desse transtorno, que nada tem a ver com níveis de inteligência. "Quem tem discalculia tem um jeito diferente de entender o raciocínio matemático", esclarece Birgit. "Com o tratamento adequado, porém, aprende-se a lidar com a ‘deficiência’." A especialista destaca, a seguir, o que é importante saber sobre discalculia.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dificuldade de leitura


Dificuldade de leitura pode ser causada pela síndrome de Irlen
Disfunção é uma das causas de déficits de aprendizagem mais frequentes
Publicado no Jornal OTEMPO em 22/04/2013


O fisioterapeuta Julio Cesar Marcelino usa óculos com filtros
Durante uma semana de provas na faculdade de fisioterapia, uma professora de Julio Cesar Marcelino,48, percebeu que o então estudante tinha muita dificuldade para assimilar a leitura e manter a atenção. O fisioterapeuta nunca tinha ouvido falar da síndrome de Irlen quando foi encaminhado ao Instituto dos Olhos para realizar os exames.

Após as suspeitas da professora serem confirmadas, Julio Cesar passou a utilizar os óculos com filtros escuros - que foram importados dos Estados Unidos. "Parece que você é cego, e passa a ver tudo de repente. Você passa a enxergar melhor e compreender tudo muito mais", conta ele, que também disse que usar os óculos próprios é como se tivesse "nascido de novo".

A síndrome de Irlen é, junto com a dislexia de desenvolvimento, uma das principais causas de dificuldade de leitura e aprendizagem. Trata-se de uma sensibilidade específica a alguns espectros da luz que dificultam a concentração.

Os principais sintomas da síndrome são a alta sensibilidade à luz, a restrição do campo visual periférico, a dor de cabeça e as dificuldades de manter o foco durante a leitura, de adaptação a contrastes e de concentração.

"A dificuldade (de quem tem a síndrome) é focalizar aquilo que se tem intenção de forma instintiva. Então, ele tem que fazer um esforço, o que causa dor de cabeça e cansaço em atividades que são rotineiras para a maioria das pessoas", explica o oftalmologista Ricardo Guimarães, fundador e presidente do Hospital de Olhos de Minas Gerais.

Segundo o médico, como a síndrome é uma doença cerebral, e não visual, é possível que exames oftalmológicos de rotina apresentem "normalidade total" e, ainda assim, a pessoa possua a síndrome. O diagnóstico só é feito por uma série de testes multidisciplinares.
CONSEQUÊNCIAS
Patologia prejudica aspectos além da visão
A síndrome de Irlen, ou síndrome escotópica sensitiva, foi identificada pela psicóloga norte-americana Helen Irlen, em 1983, e afeta diversos aspectos da vida de quem a possui. No Brasil, a síndrome é reconhecida há apenas seis anos.

De acordo com a Fundação Hospital de Olhos, cerca de 85% do que o paciente enxerga é captado pela percepção do ambiente, o que inclui a noção motora e sensorial. Por isso, a síndrome é estudada por profissionais de várias áreas, como da psicologia, da psicopedagogia, da fonoaudiologia, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

O médico oftalmologista e presidente do Hospital de Olhos de Minas Gerais, Ricardo Guimarães, atenta para a falta de atenção que hoje é dada à patologia nos consultórios de oftalmologia.

De acordo com ele, o médico precisa se preocupar com todos os pontos da visão do paciente, e ir além da receita de óculos para que os casos de síndrome de Irlen possam ser identificados mais cedo. "A nossa luta é para fazer com que o oftalmologista preste mais atenção (ao distúrbio)", diz.

O tratamento da doença consiste no uso de lâminas de sobreposição ou de filtros especiais em óculos ou lentes de contato. (CB)
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