A Boneca do grande poeta "Olavo Bilac"

A Boneca



Deixando a bola e a peteca, com que inda há pouco brincavam, por causa de uma boneca, duas meninas brigavam. Dizia a primeira: "É minha!" — "É minha!" a outra gritava; E nenhuma se continha, nem a boneca largava. Quem mais sofria (coitada!) Era a boneca. Já tinha toda a roupa estraçalhada, e amarrotada a carinha. Tanto puxaram por ela, que a pobre rasgou-se ao meio, perdendo a estopa amarela que lhe formava o recheio. E, ao fim de tanta fadiga, voltando à bola e à peteca, ambas, por causa da briga, ficaram sem a boneca . . .

Poeta "Olavo Bilac"







terça-feira, 4 de junho de 2013

Letra cursiva: certo ou errado?

Alfabetização: letra bastão
tende a substituir letra de mão

Francisca Paula Toledo Monteiro

A educadora Francisca Paula Toledo Monteiro trabalha com alfabetização e letramento na Divisão de Educação Infantil e Complementar da Unicamp. É professora de crianças na educação complementar que estão em processo de alfabetização de seis as sete anos, num trabalho de educação não formal, mas voltado ao letramento e à alfabetização. Em seu mestrado, apresentado à Faculdade de Educação (FE), há alguns anos, ela abordou as diferenças e subjetividades na educação, tendo como foco o fracasso escolar. À época, ela questionou: de quem afinal é o fracasso? Francisca atua com alfabetização desde os 17 anos e se confessa uma apaixonada pelo assunto. Ela foi partícipe e se lembra muito de quando foi alfabetizada e garante que a alfabetização avançou muito. Hoje não encerra mais a concepção de que quem ensina é o professor e de quem aprende é o aluno. É preciso antes, salienta a professora, conhecer o mundo. A educadora discutiu longamente a sua experiência e relatou que a tendência atual é o desuso da letra cursiva, ou de mão, em favor da letra bastão, que está largamente distribuída no mundo: nos computadores, nosoutdoors, nas faixas, nos painéis, nos comunicados e na correspondência comercial. Em entrevista ao Portal Unicamp, Francisca comenta os desafios do professor e o importante papel da criança como protagonista no processo, como leitora e como coautora de sua própria história.
Portal Unicamp – Há responsáveis pelo fracasso escolar?
Francisca Paula Toledo Monteiro  A resposta é que existem demandas que as crianças nos trazem e às quais a escola não tem sido capaz de responder. Não quero, com isso, dizer que a responsabilidade seja exclusivamente dos professores, mas de todo um sistema, onde a sociedade evolui com as tecnologias e evolui nas formas de relações humanas. O que se verifica é que a escola se fecha nos muros da artificialidade. Assim, as demandas que as crianças trazem não são ouvidas e, se são ouvidas, são interpretadas pelo olhar do adulto e novamente reenquadradas dentro dos muros da escola, onde não há sentido, muitas vezes, e nem tem significado para as crianças. Daí o altíssimo nível de dificuldades na leitura e na escrita que encontramos no quinto e no sexto ano do ensino fundamental.
Portal – Talvez isso já tenha a ver com a alfabetização...
Francisca – Sim. A alfabetização no Brasil é muito deficitária, tanto que hoje nota-se um imenso número de crianças que são encaminhadas para as clínicas de fonoaudiologia e um imenso número de cursos de especialização em psicopedagogia e na própria alfabetização e letramento. Então, penso que a nossa formação pedagógica não dá a ênfase necessária às questões da alfabetização, isso não só técnica e linguística, mas também envolvendo o contexto da alfabetização.
Portal – Como você define alfabetização?
Francisca – Trata-se de um processo que se inicia com a leitura da palavra 'mundo', defendida por Paulo Freire, e com a compreensão, pelas crianças e pelas pessoas, da função social da leitura e da escrita. E isso está muito descontextualizado na escola. Toda a sinalização da instituição e todas as relações organizadas dentro dela deveriam ser feitas junto com as crianças: os bilhetes, os murais, os diários, as rotinas, os roteiros. Isso porque elas têm, aí, indícios da função social da leitura e da escrita, porque organizam o mundo dentro da escola, antes mesmo de desenharem as letras. Na verdade, no sistema linguístico, o alfabeto é o último reconhecimento que a criança faz na estrutura da palavra.
Portal – Qual seria o primeiro reconhecimento?
Francisca – Seria a palavra: o texto e o contexto. São as aquisições nas quais as crianças estão imersas culturalmente. Elas são constituídas pela linguagem desde que nascem. Então compreendem o sentido social da leitura e da escrita, porque são capazes, potentes e competentes, mesmo aquelas que têm dificuldades motoras ou de linguagem. Todas podem estar inseridas e cônscias de um contexto quando ele está devidamente desenhado. Por outro lado, se eu artificializo, há uma descontextualização. Quanto mais artificial, mais dificuldades o sujeito enfrentará para compreender as relações da escrita.
Portal – O que você chama 'artificializar'?
Francisca – Usar apostilas, trabalhos mimeografados, xerocopiados ou impressos, e bilhetes prontos que nem sempre são lidos, nem pelos professores. Não estou criticando o professor, e me incluo nisso, mas estou vendo que isso é resultado da pressa e do cumprimento de um currículo que não está voltado à criança. A organização dos espaços e dos tempos é dirigida ao próprio currículo ou à rotina do adulto, e não às crianças. Gastamos muito tempo organizando e pouquíssimo tempo com o repertório trazido pelas crianças.
Portal – O que seria ideal na alfabetização?
Francisca – Não creio no ideal e sim em ideais. Acredito que precisamos escutar as crianças, pois todo ano temos uma clientela diferente que chega, vinda de culturas diferenciadas, mesmo numa mesma cidade. Aposto numa construção em que se ouve muito o que as crianças têm a dizer e que enfatiza o estudo, porque precisamos conhecer os processos de aquisição da leitura e da escrita. Também não acho que a criança deva escrever do jeito que quer. Ela adquire, constrói o conhecimento, e o professor vai mediando e alargando o contexto cultural das crianças. Esta é a função da escola. Não é doutrinar e domesticar o aluno, mas auxiliá-lo a ampliar a sua visão de mundo e sua capacidade de sentir, pensar e agir sobre ele.
Portal – O que o professor ensina nos primeiros contatos com os alunos?
Francisca – Partimos da premissa de que a criança já teve contato com as letras e que já traz um conhecimento em sua bagagem. Mas quando estamos com ela, infelizmente esquecemos dessas suas experiências. Daí pensamos que o primeiro contato com as letras é na escola. Isso não é verdade. Mesmo tendo pais analfabetos, a criança tem conhecimento, uma vez que sai na rua, convive com pessoas e sempre tem alguém que é leitor na sua casa ou próximo dela. Então ela já chega tangendo alguns domínios. A alfabetização passa por vários processos. que seriam, entre outros,  reconhecer que a criança é capaz e de que ela traz conhecimentos, além de trazer para dentro da sala de aula os textos, e não as palavras ou as sílabas e letras isoladas. O ambiente alfabetizador é aquele em que a criança participa de uma construção coletiva com seus colegas, com a professora, de textos que fazem sentido para ela: o bilhete que vai para a casa dele, o cardápio da escola, a rotina do dia na lousa. Daí ela começa a escrever, pois faz tentativas através do próprio jogo simbólico. Ela vai ensaiando a escrita e a leitura, já a partir de dois a três anos. Dentro da sala de aula, também é incentivada com a leitura feita pelo professor. Em alguns momentos, o educador funciona semelhantemente a um escriba. Enquanto as crianças vão produzindo os textos, o professor vai escrevendo por elas. A criança precisa, para escrever, saber que se escreve com letras, não com desenhos. Isso é feito pelo professor mediante comparações com livros, leituras, textos produzidos em conjunto. O professor mostra que há uma escrita em comparação a um desenho, a uma escultura. Logo, a própria criança vai reconhecendo e diferenciando.
Portal – Como é o reconhecimento inicial na alfabetização?
Francisca – A criança vai ao supermercado e lá observa, em grande medida, as letras. Ela grava isso, assim como as propagandas. Deste modo, para alfabetizar, podemos começar com os nomes que elas já conhecem. Criamos listas nas paredes ou fazemos para elas crachás. Assim vão reconhecendo os nomes ou textos mais próximos do seu cotidiano. Depois fazem tentativas de escrita. Também, a partir do estímulo do professor, a criança desenha e produz uma história. A seguir, vai passear e relatar seu passeio. Traz uma receita de casa e a professora a executa com as crianças. Escreve-a na lousa. Lê junto com os alunos. Pede à família que faça o mesmo. A criança vai então transcrever. Esse é parte do processo.
Portal – Quando se pode dizer que a alfabetização foi feita?
Francisca – A alfabetização não tem um início, meio ou fim. Ela não termina nunca. Tecnicamente alfabetizada está uma criança que já lê, compreende o que foi lido e pode se comunicar a partir de um bilhete. Ela não precisa conhecer as sílabas separadas, como reza a cartilha, que envolve um processo fragmentado. O nosso histórico, no passado, foi de fragmentação das disciplinas. É o que chamamos de um cartesianismo – ter uma linha contínua: começo, meio e fim, como se isso fosse possível. De outra via, reconheço que foi uma maneira de avançar nas ciências. Recortou-se o conhecimento a partir da Filosofia. Então Psicologia e Sociologia se originaram da Filosofia. Fragmentava-se, transformava-se o conhecimento em departamentos e em disciplinas para que isso fosse oferecido com a visão de um professor que sabe tudo e de um estudante que não sabe nada. Esta concepção permeava a alfabetização a partir da cartilha.
Portal – Você é contra a cartilha?
Francisca – Não uso a cartilha, o que não significa que tenho algo contra quem a adota. Penso apenas que fragmentar o conhecimento não ajuda porque a criança não conhece a parte para depois o todo, nem o ser humano. Conhecemos o todo e depois fragmentamos em partes aquilo que nos interessa, para reconstruir no novo todo. Cada professor parte de um princípio. Parto de ouvir a criança, trazer o letramento para a sala de aula, formar um ambiente letrado em que as escritas, as leituras e as oralidades são valorizadas.
Portal – Como a criança começa a desenhar as letras?
Francisca – Com dois a três anos, e em qualquer lugar. Na escola, ela começa a desenhar e, a partir desse desenho, o professor pode pedir-lhe para representar o que desenhou. Ela ensaia colocando letras. A professora pode deixar à mostra um alfabeto. Não há problema. Mas as minhas crianças nunca alfabetizaram porque conheciam o alfabeto. Eu acreditava piamente que as crianças tinham que reconhecer as letras para serem alfabetizadas, mas alfabetizei um menino sem que ele nomeasse sequer uma letra do alfabeto, nem as do nome dele. E ele se alfabetizou em apenas três meses.
Portal – Como isso acontece?
Francisca – A alfabetização se dá na interação do mundo letrado com a mediação de um professor, cuja concepção hoje é de que a compreensão e o contexto estão num texto. Não estão na fragmentação das palavras que, soltas de um contexto, como “o bebê babou”, não fazem sentido. “O vovô viu a uva” também não. Conosco foi assim, em outra época. Mas o mundo foi se transformando, se aprimorando. As dificuldades de aprendizagem aumentaram a tal ponto de as pesquisas se iniciarem com Paulo Freire, em 1960, já preocupado com o nível de analfabetismo porque a concepção que tínhamos – de sujeito que aprende e que ensina – não é o que acreditamos hoje.
Portal – Qual é a tendência na alfabetização?
Francisca – As pesquisas e o próprio trabalho que procuramos desenvolver nas creches é de que essa alfabetização é um processo que não se dá no primeiro ano só. É um trabalho contínuo. Cabe ao professor dominar alguns conhecimentos linguísticos, gramaticais e sociais para que ele não exclua nenhuma criança desse aprendizado e para que organize o seu fazer pedagógico. Agora o principal: é preciso mudar a concepção de ensino e de aprendizagem. As crianças são potentes, ativas e participativas. A alfabetização se dá num contexto cujo eixo é o texto, e não a letra e não a sílaba. Essa é uma convicção que trazemos da teorização de Paulo Freire, da leitura da palavra mundo, e das questões trazidas pela valorosa Emília Ferreiro, a partir da psicogênese da leitura e escrita. Não vejo como uma tendência. É uma mudança de paradigma: de criança como tábula rasa para um sujeito aprendiz com potencial e com conhecimento; e de uma concepção de que o professor é o detentor de todo saber, porque ele aprende muito enquanto ensina.
Portal – Como deve ser a postura do professor nesse modelo?
Francisca – Ele precisa ser observador, presente, e qualificar a criança potente. Deve instigá-la para saber mais. Um professor leitor, que lê muito para seus alunos e que tem uma boa entonação de voz, ele já está ensinando a criança o texto e a pontuação. Depois é só ele oferecer a técnica. A própria regra é construída com a criança, a partir de comparações: por que essa palavra eu leio assim e a outra de outro modo? Como numa poesia, por exemplo, a criança identifica as rimas? Todas essas são capacidades que o aluno vai adquirindo no contato com o professor e igualmente com a família.
Portal – Nesse processo, o que vem antes: a leitura ou a escrita?
Francisca – Em geral, a leitura precede a escrita. Mas uma coisa não exclui a outra, porém uma alfabetização meramente memorizada e copista vai gerar muitas vezes crianças copistas e que não boas produtoras de texto, que não têm a perspectiva da coautoria. Já tive alunos que precisei atender em aulas particulares que tinham cadernos perfeitos, mas que não liam uma palavra. Temos que desmistificar também que a criança só vai escrever bem quando ler. Não. Ela pode escrever sem ler.
Portal – O que pensa da ideia que permeia hoje de que a letra cursiva não vai existir mais, porque hoje o mundo é da letra bastão?
Francisca – Todas as letras são válidas, desde que a criança tenha a chance de se expressar. Se ela tem uma leitura proficiente, lerá em qualquer tipo de letra. O que é impensável é o professor ainda imaginar que uma criança está alfabetizada quando ela domina a letra cursiva. Isso é um mito e é algo que parte do senso comum. Isso já caiu por terra há muito tempo. Agora, a letra cursiva dificilmente é empregada no mundo e na escola. Qual é o problema da criança responder em letra de forma? Todas as informações são praticamente em letra bastão. Isso está no computador, nos outdoors, nos painéis, nos bilhetes que vão para a casa. O que ocorre é que não há uma grande utilidade mais. E se o computador estragar? É bom que se grafe com a própria letra. É um princípio da autonomia. Não preciso depender da máquina. Qual é o problema se a função da escrita e da leitura é a comunicação e a inserção social do sujeito? O importante é que a criança leia, interprete e consiga fazer o seu uso social. A letra no máximo precisa estar legível para que exerça a função da escrita e da leitura, que são a comunicação e a inserção social – representação subjetiva na minha ausência. Nem precisa estar bonita.
Portal - Os Estados Unidos anunciaram o fim do ensino da letra cursiva. E aqui?
Francisca – Creio que muitas coisas são decretadas porque demoramos muito para mudar. Às vezes isso causa um sofrimento desnecessário às crianças. Não há utilidade na letra cursiva nem em termos de coordenação motora, porque essa coordenação não é testada pela letra. Ela se dá na interação da criança com o mundo e com os outros. A criança que não tem autonomia, que a mãe, a berçarista ou a professora da creche dão tudo na boca e na mão, pode até fazer caligrafia, contudo, não vai desenvolver coordenação. A criança ganha autonomia no fazer, na construção do mundo.
Portal – Até quantos anos ela tem uma coordenação satisfatória?
Francisca – Isso varia. Agora se ela vive um ambiente que pode, com autonomia e segurança, se alimentar, se vestir, amarrar o tênis, recortar seu bilhete sozinha, ao invés de rasgar papelzinho e ficar treinando no papel, ela vai se desenvolver sem nenhum problema e vai chegar ao período de alfabetização, ou em qualquer período da vida dela, sem nenhuma dificuldade e sem nenhum comprometimento motor.
Portal – Essa coordenação poderá ajudar no quê?
Francisca – É um reflexo de toda a vivência corporal da criança, mas nos auxilia para tudo. Até para mudança de ponto de vista. A coordenação inclui tudo, até a capacidade óculo-visual, auditiva e cinestésica. A coordenação não é só para ler, para escrever e para digitar no computador. Envolve a confecção de trabalhos manuais e sobretudo a organização da própria rotina. A criança descoordenada normalmente também está descoordenada no seu tempo e no espaço. A coordenação não é pela mão. Ela vem de dentro para fora e de fora para dentro. É o social junto com o pessoal.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Presente para o dia das mães!

Pulseiras por reutilização de palitos de picolé...-recycling

http://www.craftaffection.com

Pulseiras por reutilização de palitos de picolé...


- Ferver os palitos e deixá-los um pouco na água...
- Ainda mornos, entortá-los e colocá-los em um copo para que sequem no formato desejado....
- Quando secos, passar lixa fina para acabamento...
- Em seguida é só decorar como preferir... tinta acrílica, tecido...
Deixe os palitos de molho.
Use o copo como na foto

Pinte ou cole adesivos...fique a vontade!

Todos vão se surpreender com as criações, vale usar miçangas, pedras, correntes.......
use e abuse da criatividade de seus alunos!

Acorda BRASIL!!!!!!!

Discalculia, você sabe o que é?


Discalculia: o que você precisa saber para ajudar seu filho

Dificuldade com números? Entenda o que é esse problema e aprenda a lidar com ele


Educar
Foto: Maurício Melo
A discalculia pode gerar lacunas graves no aprendizado da criança



O problema se mostra cedo na escola, a criança não consegue fazer a relação entre a quantidade e o número, mas a família deixa prá lá, ora, Matemática é um bicho-papão, fazer o quê. "Culturalmente somos compreensivos com quem tem dificuldade em entender os princípios matemáticos", confirma Birgit Möbus, psicopedagoga da Escola Suíço-Brasileira de São Paulo. "Mas os pais precisam acompanhar atentamente o desempenho escolar dos filhos sob o risco de acumular lacunas graves na aprendizagem da disciplina."

A discalculia é um problema causado pela má formação neurológica e se manifesta com a dificuldade no aprendizado de números. Segundo pesquisas recentes, 6% da população mundial em idade escolar sofrem desse transtorno, que nada tem a ver com níveis de inteligência. "Quem tem discalculia tem um jeito diferente de entender o raciocínio matemático", esclarece Birgit. "Com o tratamento adequado, porém, aprende-se a lidar com a ‘deficiência’." A especialista destaca, a seguir, o que é importante saber sobre discalculia.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dificuldade de leitura


Dificuldade de leitura pode ser causada pela síndrome de Irlen
Disfunção é uma das causas de déficits de aprendizagem mais frequentes
Publicado no Jornal OTEMPO em 22/04/2013


O fisioterapeuta Julio Cesar Marcelino usa óculos com filtros
Durante uma semana de provas na faculdade de fisioterapia, uma professora de Julio Cesar Marcelino,48, percebeu que o então estudante tinha muita dificuldade para assimilar a leitura e manter a atenção. O fisioterapeuta nunca tinha ouvido falar da síndrome de Irlen quando foi encaminhado ao Instituto dos Olhos para realizar os exames.

Após as suspeitas da professora serem confirmadas, Julio Cesar passou a utilizar os óculos com filtros escuros - que foram importados dos Estados Unidos. "Parece que você é cego, e passa a ver tudo de repente. Você passa a enxergar melhor e compreender tudo muito mais", conta ele, que também disse que usar os óculos próprios é como se tivesse "nascido de novo".

A síndrome de Irlen é, junto com a dislexia de desenvolvimento, uma das principais causas de dificuldade de leitura e aprendizagem. Trata-se de uma sensibilidade específica a alguns espectros da luz que dificultam a concentração.

Os principais sintomas da síndrome são a alta sensibilidade à luz, a restrição do campo visual periférico, a dor de cabeça e as dificuldades de manter o foco durante a leitura, de adaptação a contrastes e de concentração.

"A dificuldade (de quem tem a síndrome) é focalizar aquilo que se tem intenção de forma instintiva. Então, ele tem que fazer um esforço, o que causa dor de cabeça e cansaço em atividades que são rotineiras para a maioria das pessoas", explica o oftalmologista Ricardo Guimarães, fundador e presidente do Hospital de Olhos de Minas Gerais.

Segundo o médico, como a síndrome é uma doença cerebral, e não visual, é possível que exames oftalmológicos de rotina apresentem "normalidade total" e, ainda assim, a pessoa possua a síndrome. O diagnóstico só é feito por uma série de testes multidisciplinares.
CONSEQUÊNCIAS
Patologia prejudica aspectos além da visão
A síndrome de Irlen, ou síndrome escotópica sensitiva, foi identificada pela psicóloga norte-americana Helen Irlen, em 1983, e afeta diversos aspectos da vida de quem a possui. No Brasil, a síndrome é reconhecida há apenas seis anos.

De acordo com a Fundação Hospital de Olhos, cerca de 85% do que o paciente enxerga é captado pela percepção do ambiente, o que inclui a noção motora e sensorial. Por isso, a síndrome é estudada por profissionais de várias áreas, como da psicologia, da psicopedagogia, da fonoaudiologia, da terapia ocupacional e da fisioterapia.

O médico oftalmologista e presidente do Hospital de Olhos de Minas Gerais, Ricardo Guimarães, atenta para a falta de atenção que hoje é dada à patologia nos consultórios de oftalmologia.

De acordo com ele, o médico precisa se preocupar com todos os pontos da visão do paciente, e ir além da receita de óculos para que os casos de síndrome de Irlen possam ser identificados mais cedo. "A nossa luta é para fazer com que o oftalmologista preste mais atenção (ao distúrbio)", diz.

O tratamento da doença consiste no uso de lâminas de sobreposição ou de filtros especiais em óculos ou lentes de contato. (CB)
obs. BUSCAR INFORMAÇÃO É FUNDAMENTAL!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Agressividade infantil, um problema sério para a escola.


Agressividade das crianças e o limite dos pais. O que isso tem a ver com o desenvolvimento? 


A partir do trabalho psicológico clínico e também no âmbito escolar, observamos que parte das preocupações dos pais e da escola se referem à imposição de limites e à agressividade nas crianças. Neste texto gostaria de lhes falar sobre a gênese desses comportamentos que inicialmente, se manifestam na relação pais-filhos e irão nos servir para uma reflexão.

O que é agressividade?
Segundo Winnicott, psicanalista inglês, a agressividade é uma força natural da criança que a impele a se movimentar; a empurrar para nascer ou sugar para mamar. O autor entende a agressividade como expressão espontânea de movimento em busca da exploração do mundo e mais tarde, da aquisição de conhecimento sobre ele.

Quais são os aspectos positivos da agressividade?
Através da agressividade, a criança busca experiências de gratificação e prazer. A  expressão agressiva deve ser entendida como uma evidência de saúde, criatividade, autonomia e independência. Para Winnocott, além de ser inata, a agressividade também se constitui na relação com os pais, pois estes estão continuamente tentando conter os impulsos agressivos dos filhos. É pela oposição e reação dos pais aos movimentos agressivos da criança, que ela vai começar a ter noção de sua força, do que ela pode provocar e das consequências de seus próprios atos.

Qual o papel dos limites impostos pelos pais?
Ao imporem limites, os pais apontam para as crianças as consequências da destrutividade e os danos que podem causar. É através das palavras e da presença dos pais em oposição à criança durante as experiências agressivas, que os limites se estabelecem. Os pais devem reagir à agressividade, além de palavras, com atitudes. Assim, a presença verdadeira na educação dos filhos impõe o limite necessário para a constituição de uma criança que respeita o outro. Os pais implicados na educação, são aqueles que exercem autoridade sobre seus filhos, sem precisar usar da força física. A partir de suas referências pessoais e história de vida, os pais fazem oposição aos filhos e exercitam o estabelecimento de relações de hierarquia. Estabelecer limites e regras, antes de ser uma tarefa árdua, deve ser estimulante e capaz de propiciar uma convivência verdadeira entre pais e filhos. Espera-se que este exercício garanta aos pequenos o estabelecimento do seu universo próprio segundo os valores familiares bem estabelecidos.

Como entender o papel da disciplina no desenvolvimento infantil?
A criança que não possui uma disciplina regular dentro de casa, também terá dificuldades em seguir regras em outros contextos. Por exemplo, a necessidade em se manter sempre no domínio das situações pode gerar dificuldades importantes para a criança se inserir no grupo de amigos. Como ela vai conseguir dividir situações com os amigos se não conseguir, por exemplo, as regras de um jogo? As regras precisam ser internalizadas e aprendidas, assim como as hierarquias. O controle interno é construído a partir do controle externo, e este precisa ser bem claro. No futuro, quando adulta, como poderá ser bem sucedida, se o seu próprio controle interno não puder ser respeitado?  Qual será a qualidade das relações afetivas de uma pessoa que não consegue manter relacionamentos duradouros porque não aceita as demandas do outro e do mundo? Enfim, o papel dos limites vai muito além da necessidade de controle, ele está a serviço do desenvolvimento saudável das crianças e precisa ser exercitado diarimente!

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Bibliografia
DOLTO, Françoise. Como orientar seu filho. Trad. Ruth Josef. 3a ed. v.I Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
WINNICOTT, Donald. A agressividade em relação ao desenvolvimento emocional (1950). Da Pediatria à Psicanálise. Trad. Davy Bogomoletz. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.
WINNICOTT, Donald. A agressão e sua relação com o desenvolvimento emocional. Da Pediatria à Psicanálise. (1950) Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
WINNICOTT, Donald. As raízes da agressividade. A criança e seu mundo. Ed. Zahar, Rio de Janeiro (1966). THEBAS, Claudio; Ilustrações de Ivan Zigg. O menino que chovia. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2010.

A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE INFANTIL


a insegurança dos pais e a ansiedade que carregam com si no inicio da vida escolar de seus filhos, fazem com que as escolas invistam em materiais tecnológicos e excesso de tarefas direcionadas para a alfabetização, tentando assim suprir as expectativas dos pais e esquecendo o fundamental para uma boa aprendizagem ao longo da vida educacional. Gostaria de expor a todos os pais e professores a importância da psicomotricidade para um desenvolvimento saudável em nossos pequenos. pais Aproveitem a dica, apoiem e auxiliem as(os) professores a dar prioridade e importância ao que realmente é priori, professores, instruam os pais com segurança de palavra diante os objetivos essenciais para as crianças . 

A PSICOMOTRICIDADE INFANTIL

Brincar é tudo de bom!

Nos movimentos da criança se articula toda sua afetividade, desejos e suas possibilidades de comunicação. O que é psicomotricidade? Sua definição ainda está em formação, já que à medida que avança e é aplicada, vai-se estendendo a distintos e variados campos. No princípio, a psicomotricidade era utilizada apenas na correção de alguma debilidade, dificuldade, ou deficiência.
Hoje, vai mais longe: a psicomotricidade ocupa um lugar importante na educação infantil, sobretudo na primeira infância, em razão de que se reconhece que existe uma grande interdependência entre os desenvolvimentos motores, afetivos e intelectuais. A psicomotricidade é a ação do sistema nervoso central que cria uma consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza através dos padrões motores, como a velocidade, o espaço e o tempo.

Movimento e atividade psíquica

O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa. A palavra motriz se refere ao movimento, enquanto o psico, determina a atividade psíquica em duas fases: a sócio-afetiva e cognitiva. Em outras palavras, o que se quer dizer é que na ação da criança se articula toda sua afetividade, todos seus desejos, mas também todas suas possibilidades de comunicação e conceituação. 
A teoria de Piaget afirma que a inteligência se constrói a partir da atividade motriz das crianças. Nos primeiros anos de vida, até os sete anos, aproximadamente, a educação da criança é psicomotriz. Tudo, o conhecimento e a aprendizagem, centra-se na ação da criança sobre o meio, os demais e as experiências através de sua ação e movimento.

Estimulação e reeducação

Através da psicomotricidade pode-se estimular e reeducar os movimentos da criança. A estimulação psicomotriz educacional se dirige a indivíduos sãos, através de um trabalho orientado à atividade motriz e as brincadeiras. Na reeducação psicomotriz se trabalha com indivíduos que apresentam alguma deficiência, transtornos ou atrasos no desenvolvimento. Tratam-se corporalmente mediante uma intervenção clínica realizada por um pessoal especializado.

Princípios e metas da psicomotricidade infantil

A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como meta:
- Motivar a capacidade sensitiva através das sensações e relações entre o corpo e o exterior (o outro e as coisas).
- Cultivar a capacidade perceptiva através do conhecimento dos movimentos e da resposta corporal.
- Organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários.
- Fazer com que as crianças possam descobrir e expressar suas capacidades, através da ação criativa e da expressão da emoção.
- Ampliar e valorizar a identidade própria e a auto-estima dentro da pluralidade grupal.
- Criar segurança e expressar-se através de diversas formas como um ser valioso, único e exclusivo.
- Criar uma consciência e um respeito à presença e ao espaço dos demais.

                

Alfabeto para se divertir


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